terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A estagnação econômica e a reintegração tardia



Os principais motivos que causaram a estagnação econômica na região, segundo Braga (1999), serão a seguir relatados para que se possa obter uma compreensão mais abrangente sobre a dinâmica econômica do Vale do Ribeira.

Segundo o autor, em 1850 o complexo rural dominante no Estado de São Paulo era o cafeicultor, até então concentrado no Vale do Paraíba. Paralelamente o complexo de cultivo de arroz no Vale do Ribeira vinha se expandindo. No entanto, com a proibição do tráfico negreiro em 1850, desencadeou-se uma crise no complexo rural, afetando-o de maneiras diferentes as duas situações.

A cafeicultura manteve sua hegemonia avançando para o oeste do Estado, formando a partir de 1870 um novo sistema denominado “complexo cafeeiro paulista” (Cano apud Braga, 1999). Este, por sua vez, incorporou famílias de imigrantes em um novo regime de trabalho, o “colonato”: o colono era um trabalhador assalariado temporário que, fora do período da colheita, produzia em sua roça produtos para sua própria subsistência e gerava um excedente comercializado na região.

Já no Vale do Ribeira, com a proibição legal do tráfico negreiro, o preço do escravo subiu consideravelmente. Este encarecimento foi agravado ainda pelos altos impostos instituídos para evitar a evasão da mão-de-obra de uma província para outra. Desta forma, tais barreiras tributárias acabaram estimulando a transferência de escravos das regiões menos dinâmicas para as mais dinâmicas economicamente, ou seja, das zonas não cafeeiras (como era o caso do Vale do Ribeira), para as zonas cafeeiras.

Outra consideração importante a ser ressaltada é em relação a malha ferroviária paulista. Sua expansão acompanhou a marcha do café rumo ao oeste, deixando de lado as regiões não cafeicultoras. Isto aconteceu principalmente devido ao fato de que o capital ferroviário era em sua maior parte privado e oriundo da cafeicultura. Assim, o Vale do Ribeira ficou fora desse processo, sendo que o primeiro ramal ferroviário só chegou à região em 1912, apenas até Juquiá.

No entanto, o complexo de cultivo de arroz contava com um sistema de navegação fluvial, base do sistema de transportes regional até o início do século XX. A produção era escoada pelo rio Ribeira para o porto de Iguape e então para o porto de Santos. Era o único meio eficiente de ligação da região com o exterior, sendo que as ligações por terra permaneceram precárias até 1940.

Além disso, em 1852, com a conclusão da abertura do Canal do Valo Grande, ocorreu o assoreamento do porto de Iguape comprometendo seriamente o sistema hidroviário do Ribeira e impedindo o acesso de navios de grande porte. Embora o rio Ribeira fosse a principal via de comunicação, o porto de Iguape não se localizava na foz do mesmo. Desde o início do século XIX, os comerciantes reivindicavam a construção de um canal (2,5 km) ligando o rio ao porto. A abertura do Canal do Valo Grande desencadeou um
violento processo de erosão e já em 1903 um rápido processo de assoreamento havia tomado o porto por completo, inviabilizando a entrada de navios.

Figura 6: Antes da abertura do canal do Valo Grande


Figura 7: Depois da abertura do canal do Valo Grande


Desse modo, Iguape passou a perder seu papel de entreposto comercial e o arroz produzido na região, passou a ter uma colocação no mercado mais dificultada. Assim, sem estradas e ferrovias e com uma navegação problemática, a região foi se isolando cada vez mais do restante do Estado.

No final do século XIX, tem-se o seguinte quadro de desenvolvimento regional em São Paulo: a zona cafeeira escravista do Vale do Paraíba em decadência, a zona rizicultora escravista do Vale do Ribeira também em decadência, e, as novas zonas cafeeiras do oeste em desenvolvimento, apoiadas no trabalho do colono imigrante e em uma eficiente rede de transporte ferroviário.

De acordo com Petrone apud Braga (1999), o Vale do Ribeira foi pioneiro em experiências de colonização, em sua maioria fracassadas. O Núcleo Colonial de Pariquera-Açú, por exemplo, recebeu grupos de ingleses, alemães, poloneses e russos. Estes imigrantes ficaram pouco tempo e mais tarde partiriam para as zonas cafeicultoras do planalto. O fracasso da colonização européia na região é explicado pelo isolamento que dificultava o escoamento da produção, inviabilizando o desenvolvimento das culturas comerciais; condições físicas pouco satisfatórias (clima quente e úmido pouco convidativo aos europeus); desilusão face à realidade encontrada (prometia-se uma terra que não condizia com a realidade); pouca duração das experiências, o que dificultou o
enraizamento dos colonos; e, a heterogeneidade das colônias (grupos reduzidos e heterogêneos).

Neste momento histórico, o café era a única cultura comercial capaz de justificar a implantação de infra-estrutura e fixar os colonos no Vale do Ribeira. A cafeicultura foi tentada, porém fracassou na região, pela dificuldade de circulação e acesso aos mercados e a restrita aptidão ecológica da região para o café, o que restringiu investimentos em transportes. Aliado a estes fatores, o aniquilamento da navegação com o assoreamento do porto de Iguape, contribuindo, ainda mais para o não desenvolvimento econômico da região.

De acordo com Braga (1999), após a decadência da rizicultura e o fracasso nas tentativas de colonização e introdução de uma lavoura comercial (o café), o Vale entrou em um período de estagnação sócio-econômica e assim permaneceu até aproximadamente 1940, quando a agricultura começou a ser reincorporada à economia estadual com a implantação de culturas comerciais como o chá e a banana, desenvolvidas pela colonização japonesa.

A colonização japonesa iniciou-se no Vale do Ribeira em 1912. O governo paulista firmou acordo com a Companhia Imperial Japonesa de Imigração, visando a colonização da região. Em 1918 foi criada a KKKK – KaigaiKogyoKabushikiKaisha Companhia Ultramarina de Empreendimentos, filial da Companhia Imperial, que passou a ser responsável pela colonização, diferindo-se esta totalmente das experiências anteriores, pois surgiu com apoio governamental e sob a coordenação de uma poderosa organização como a Companhia Imperial.

A KKKK trouxe agrônomos do Japão e instalou campos experimentais de cultivo, distribuía lotes de forma racional de forma que os colonos tivessem acesso à água e uma localização razoável, orientando assim, a colonização de forma integral. Além disso, a empresa proporcionava assistência médica e escola para os colonos.

Visando o escoamento da produção, a KKKK construiu uma rede de estradas ligando as colônias aos portos fluviais de Registro e Sete Barras, além de abrir uma estrada ligando Registro à Juquiá para que se pudesse atingir o recém inaugurado ramal ferroviário até Santos. Os japoneses pouco se voltaram para o litoral, seus interesses voltavam-se ao planalto onde estavam os melhores mercados. Desta forma, o eixo econômico que desde o século XVI, direcionava-se do interior para Iguape pelo rio Ribeira, transversalmente à costa, passou a correr paralelo ao litoral, de Registro para Juquiá e então, por via férrea, para Santos. É assim que Iguape perde a primazia da região para Registro, que torna-se a nova “capital” do Vale do Ribeira.

A imigração japonesa causou um impacto considerável na dinâmica do desenvolvimento da região. A partir da década de 1930, os cultivos do chá e da banana irão se desenvolver, reincorporando a região ao mercado. No entanto, esta reintegração foi tardia, pois a região já havia perdido a “oportunidade histórica” de integrar-se ao ritmo paulista e que neste momento iniciava uma nova fase, a industrialização. Assim sendo, o Vale do Ribeira que já havia ficado “à margem do império do café”, ficou também à margem da industrialização, permanecendo como região subdesenvolvida.

A partir da década de 50, o Estado passou a intervir na economia com políticas de desenvolvimento para a região, as quais culminaram com a criação da SUDELPA – Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista, em 1969, conforme já mencionado anteriormente, e, desde então, políticas governamentais objetivando o desenvolvimento do Vale têm sido fomentadas até os dias de hoje.

Fonte: BRAGA, Roberto. Raízes da questão regional no Estado de São Paulo: considerações sobre o Vale do Ribeira. Trabalho originalmente publicado em: Geografia. Rio Claro: AGETEO, 1999.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Fauna

Na região há muitas aves marinhas e litorâneas. Essa é a garça-azul. Ave que habita principalmente o litoral, podendo ser encontrado também no Pantanal e na Bacia Amazõnica. Nas marés baixas, explora os manguezais e lamaçais do litoral. No Brasil, os manguezais são os únicos locais conhecidos em que essa espécie se reproduz. Ótimo lugar para esse animal viver, visto que se alimenta de peixes e pequenos invertebrados. Vive sozinha, em casais ou em grupos de três indivíduos. 

Hospedagem e alimentação

Hoje, a Barra do Ribeira dispõe de 10 pousadas, 1 camping e 1 hotel como opções de hospedagem para os turistas, tendo assim, capacidade de comportar 588 pessoas, e 3 opções de restaurantes. 

Na tabela abaixo é possível ver as opções de hospedagem e de restaurantes. Ao passar dos anos, devido ao aumento da demanda turística, houve a necessidade de novas pousadas serem criadas, o que também pode ser observada na tabela a seguir.


Hospedagem
1997
2007
2013
Hotel Recanto da Juréia
Pousada dos Coqueiros
Pousada dos Coqueiros
Pousada Solar da Barra
Pousada Praia da Juréia
Pousada Praia da Juréia
Pousada Ecológica
Pousada Recanto da Juréia
Pousada Recanto da Juréia

Pousada Ecológica
Pousada Riomar

Pousada Ísis
Pousada Isis

Pousada Solar da Barra
Pousada Solar da Barra

Pousada Aconchego
Pousada Aconchego

Pousada Portal da Juréia
Pousada Portal da Juréia

Pousada Morada do Sol
Pousada o Luar da Juréia

Camping do Mélico
Pousada Paraiso


Camping do Mélico


Hotel Dalu
Restaurantes
2013
Restaurante Beira Rio
Restaurante Mikelle Forlenha
Restaurante Aconchego

Centro de Atendimento ao Turista (CAT)

No momento um projeto de criação de um Centro de Atendimento ao Turista está sendo trabalhado para que se possa atender melhor os turistas com informações a respeito de locais para se alimentar, onde se hospedar e de atividades turísticas da região,

O CAT será onde está localizado o antigo Posto de Atendimento ao Turista (PIT), que está sendo reformado.


A Barra do Ribeira


O município de Iguape está localizado no litoral sul do Estado de São Paulo, onde se encontra a região do Vale do Ribeira. É uma região formada por aproximadamente 70% de área natural protegida, incluindo a Estação Ecológica do Chauás e cerca de 85% da Estação Ecológica Juréia-Iratins, além de estar parcialmente em Área de Proteção Ambiental. Dentre os seus 1964 Km², possui rios, morros, manguezais, praias e cachoeiras, além das Reservas de Mata Atlântica do Sudeste.

Há 18 km do município de Iguape, no litoral Sul de São Paulo, se localiza a Barra do Ribeira.  O local é a entrada para a Estação Ecológica Juréia - Itatins, onde também há presença de Área de Proteção Ambiental Federal Cananéia – Iguape - Peruíbe. Na Barra do Ribeira, há conservação da Mata Atlântica.